Eclesiastes 1:1-18 — Significado e Explicação



Eclesiastes 1:1-18 — Significado e Explicação

Eclesiastes 1:1-18

Significado e Explicação



1.1 — O título “pregador” denota uma função ou profissão. Literalmente, significa aquele que ajunta ou aquele que reúne as pessoas. Assim, o título se refere a Salomão como alguém que convocava a assembleia dos sábios para discutir formalmente o sentido da vida. Talvez seja melhor transliterar do hebraico a palavra qohelet, em vez de traduzi-la, pois ela parece ser o pseudônimo de Salomão.

1.2 — A expressão “vaidade de vaidades” traduz o superlativo no hebraico que nos é familiar pelas expressões “cântico dos cânticos” e “santo dos santos.” Neste versículo, ele talvez expresse o cúmulo dos absurdos ou o maior dos vazios. Isso fez com que muitos concluíssem que o livro de Eclesiastes é um livro negativo e cínico que diz que a vida não tem sentido nenhum. Alguns sugeriram que esse livro explica que a vida longe de Deus é que é o maior dos vazios. O livro em si, porém, não diz isso, porque não há oração explicativa do tipo “exceto quando a pessoa é de Deus”. Pelo contrário, ele diz claramente que a própria vida é vaidade de vaidades. A palavra “vaidade” significa “hálito” ou “vapor” e, portanto, qualifica a vida como algo que passa depressa. A vida é como vapor; alias, é como o mais volátil dos vapores. Sempre que lermos o vocábulo “vaidade” em Eclesiastes, devemos pensar não no que é sem sentido, mas naquilo que passa rápido (v. 14; 6.12). Trata-se de um dos termos essenciais no livro de Eclesiastes, porque se repete 38 vezes nele, enquanto no restante do Antigo Testamento aparece apenas mais 34 vezes. O ensinamento do pregador é que a vida e efêmera e precisa ser saboreada e aproveitada como a dádiva de Deus que é.

1.3 — Os sentidos do vocábulo vantagem são: (1) proveito e (2) lucro adequado. Neste versículo, ele se refere a uma indenização ou a lucros, termos que geralmente fazem parte do universo comercial. A questão é: o que resta depois que todas as despesas foram contabilizadas? Quanto ao emprego do termo trabalho, tanto o substantivo como o verbo tem conotações negativas, referindo-se a atividades exaustivas, praticadas debaixo do sol. Esta expressão (traduzida também como “debaixo do céu” em Eclesiastes 1.13; 2.3; 3.1) descreve a vida que vivemos aqui na terra, a que Deus teve a graça de conceder-nos. Nos versículos 2 e 3, o pregador estabeleceu uma das ideias principais do livro: a vida pode parecer não ter sentido porque passa muito rápido. O restante de Eclesiastes ajuda o conselho dos sábios a entender como valorizá-la verdadeiramente, já que de fato ela passa tão depressa.

1.4 — O termo “geração” sugere tanto os seres humanos como os fenômenos naturais. Neste versículo, temos a primeira de uma série de antíteses em Eclesiastes. Contrastando com o transcorrer das gerações pode-se observar a declaração a terra para sempre permanece. Só Deus é eterno e durará para sempre em todos os sentidos, mas, comparada a vida humana, a terra permanece com poucas mudanças.

1.5-7 — Os três elementos da criação citados neste trecho, o sol, o vento e os ribeiros podem ser vistos cumprindo seu percurso predeterminado por Deus, com poucas mudanças e poucos acidentes.

1.8,9 — Todas estas coisas se cansam tanto. A verdade sobre o sol, o vento e os ribeiros (v. 5-7) também serve para outras coisas terrenas. O mundo é feito do que se pode chamar de “os sem descanso”. Isso decorre dos olhos que não se fartam. Neste sentido, cita-se um provérbio que trata do apetite insaciável (Ec 4.8; 5.10; compare com Pv 27.20) em representar a aparente falta de serventia dos percursos dos fenômenos naturais.

1.10,11 — Caso pareça que algo de novo acontece de vez em quando, lembre-se de que as pessoas tem memoria curta.

1.12 — Eu, o pregador, fui rei. Neste texto há uma mudança da terceira pessoa, empregada desde os versículos 1 e 2, para a primeira pessoa. O escritor, ou quem sabe alguém que editou o livro posteriormente, volta a terceira pessoa no epílogo, em Eclesiastes 12.8-14. Talvez esta seja uma referencia a Salomão como o autor desse livro.

1.13 — A expressão “debaixo do céu” é um sinônimo de debaixo do sol (v. 3,9) e refere-se à vida como ela é vivida na terra. Ao dizer que aplicou o coração a esquadrinhá-la, o autor de Eclesiastes não emprega o título divino Yahweh, o nome pelo qual Deus se revelou quando estabeleceu a aliança com Israel (Ex 3.14,15). Em seu lugar, ele utiliza a palavra “Elohim” para Deus 28 vezes, a qual enfatiza a Sua soberania sobre toda a criação. Os escritores acadêmicos costumam usar Elohim quando tratam de verdades universais, em vez de verdades particulares a aliança de Deus com Israel. Segundo o autor, Deus deu a ocupação de informar-se sobre o que sucede na terra aos filhos dos homens, forma genérica de referir-se a humanidade. O objetivo do Senhor foi para nela os exercitar, por isso o uso do adjetivo enfadonha para qualificá-la. O verbo exercitar só é empregado em Eclesiastes e significa “estar ocupado com”; neste caso, associa-se ao substantivo ocupação (trabalho, em Eclesiastes 3.10).

1.14 — A expressão “aflição” de espírito só ocorre na Bíblia em hebraico dentro de Eclesiastes. Sete de suas nove ocorrências (Ec 1.14; 2.11,17,26; 4.4,6; 6.9) acompanham declarações sobre vaidade. Neste caso, trata da natureza da vida segundo o pregador. A vida é real, mas passa rápido; qualquer tentativa de retê-la é tão vã quanto tentar agarrar o vento (tradução literal da expressão).

1.15 — Salomão não está dizendo que tentar endireitar ou mudar algo e inútil, e sim que, por mais que se esquadrinhe ou use todos os recursos da terra, não se pode endireitar o que Deus estabeleceu que fosse torto, distorcido, deturpado ou invertido (Ec 7.13).

1.16 — Todos os que houve antes de mim, em Jerusalém. A expressão “todos os que houve” não exclui Salomão como autor do livro só porque ele foi precedido em Jerusalém, como um rei israelita, apenas por seu pai, Davi. Houve outros reis, como Melquisedeque (Gn 14.18) e Adoni-Zedeque (Js 10.1). A cidade de Jerusalém já existia há centenas de anos quando Salomão se tornou seu rei.

1.17 — Não é a sabedoria que Salomão julga absurda, mas sim a busca por mais sabedoria (Ec 2.15) e por tornar-se demasiadamente sábio (Ec 7.16).

1.18 — Na muita sabedoria, há muito enfado. Apesar das vantagens provenientes da sabedoria, Salomão confessa que sabedoria e conhecimento demais são fonte de dor, tristeza e aflição. Sabe-se bem que o próprio processo de aprendizado apenas expande a consciência de nossa ignorância. Para os mortais, aumentar a sabedoria pode ser apenas aumentar a dor (Ec 12.12).


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Eclesiastes 1:1-18 — Significado e Explicação Eclesiastes 1:1-18 — Significado e Explicação Reviewed by Biblioteca Bíblica on segunda-feira, abril 15, 2013 Rating: 5
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