Eclesiastes 12:1-14 — Significado e Explicação



Eclesiastes 12:1-14 — Significado e Explicação

Eclesiastes 12:1-14

Significado e Explicação




12.1-8 — Muitos interpretes alegam que este poema é uma alegoria da terceira idade. Esta é a visão que advogamos aqui. Outras interpretações são: (1) a descrição do inverno como metáfora para a velhice; (2) a descrição da reação das pessoas a uma tempestade assustadora; (3) a imagem de uma casa desmoronada representando o fracasso dos esforços humanos; e (4) a decadência de uma casa simbolizando a morte e a fragilidade humana.

12.1 — “Lembra-te do teu Criador.” Salomão não esta sugerindo um mero reconhecimento da pessoa de Deus; usando termos bíblicos vigorosos, ele convoca o homem aos atos adequados que acompanham esse reconhecimento. Por exemplo, quando o Senhor se lembrou de Ana (1 Sm 1.19), Ele fez mais do que simplesmente trazê-la a memória; Ele agiu em seu favor, e ela concebeu um filho. Ao lembrarmo-nos dele, devemos fazê-lo com pensamentos, palavras e ações.

12.2 — Esta passagem contem metáforas de um dos sinais típicos da velhice: o enfraquecimento da visão.

12.3 — Os versículos 3-6 listam as enfermidades que vão acometendo a pessoa à medida que ela envelhece, prejudicando-a no ato de servir a Deus. Se a casa representa o corpo que envelhece, então os guardas são os braços e as pernas. Estas se curvam pela fragilidade, o que se verifica na sentença se curvarem os homens fortes; por isso, não se deve confiar na sustentação dos joelhos. A expressão cessarem os moedores alude aos dentes, que, cada vez mais raros e fracos, não conseguem mastigar a comida tão bem quanto antigamente. Por fim, o último traço característico dessa fase da vida e apontado na declaração se escurecerem os que olham pelas janelas, referindo-se aos olhos quando começam a perder a visão.

12.4 — A linguagem conotativa em as duas portas da rua se fecharem e semelhante a que foi empregada no livro de Jó para designar as mandíbulas do leviatã como as portas do seu rosto (Jo 41.14). Sendo assim, também é possível que neste versículo o autor se refira a lábios e mandíbulas. Dando continuidade a essa ideia, o termo “baixo ruído da moedura” ilustra o pouco ou nenhum barulho feito ao mastigar alimentos macios na velhice, depois da perda ou do enfraquecimento dos dentes. Para concluir as metáforas desta passagem, as vozes do canto se baixarem remete a audição; portanto, a capacidade de deleitar-se com a música diminui.

12.5 — A sentença “temerem o que está no alto” se reporta as coisas banais do cotidiano que passaram a ser ameaçadoras. Mais um sinal da idade avançada é o eufemismo “florescer a amendoeira”, ou seja, branquear-se o cabelo. Quando o gafanhoto for um peso talvez se refira ao passo claudicante do idoso que manca apoiado em sua bengala. Quanto ao ato de perecer o apetite, geralmente é entendido como o desejo sexual que vai desaparecendo. Então, vem à morte, a ida para a eterna casa.

12.6 — Alguns dizem que cadeia de prata se refere à coluna vertebral, assim como se despedace o copo de ouro, ao cérebro. Uma das hipóteses quanto à expressão se despedace o cântaro junto a fonte é que isso aluda a um coração falho. Ainda neste sentido, o sistema de veias e artérias que se difundem a partir do coração pode ter parecido aos antigos com as traves de uma roda, por isso a frase “se despedace a roda junto ao poço”. Uma explicação alternativa deste versículo é que as quatro imagens são diferentes descrições da morte. Não se pretende que haja representações do físico como nos versículos 3-5, e sim se descreve a destruição de quatro itens significativos para demonstrar a finitude desta vida.

12.7 — “E o pó volte a terra.” Estas palavras claramente se referem ao destino único de todos os descendentes de Adão e Eva. E o espírito volte a Deus é uma clara alusão a Genesis 2.7. O termo “espirito” é o mesmo empregado em trechos anteriores (Ec 3.19,21; 8.8).

12.8 — “O estribilho de vaidade” — a brevidade da vida - é repetido neste versículo. E possível que o livro terminasse, originalmente, com estas palavras.

12.9 — No princípio do livro de Eclesiastes, o pregador fala de sua busca pela sabedoria (Ec 1.12— 2.26). E possível que agora ele esteja falando de si próprio na terceira pessoa (como em Ec 1.1,2). Provavelmente foi algum editor, guiado pela mão de Deus, que escreveu essas qualificações sobre Salomão, assim como Josué ou algum outro editor escreveu uma avaliação de Moisés sob a influência do Espírito de Deus (Dt 34). Os três verbos que descrevem a atividade de Salomão — e atentou, e esquadrinhou, e compôs — também podem ser traduzidos como “pesou”, “examinou” e “arrumou”.

12.10 — O pregador devota um cuidado especial às palavras, para que sejam agradáveis — Palavras de graça — e palavras de verdade. A verdade a que se refere neste texto é a verdade revelada por Deus.

12.11 — Como a espora incita o animal a seguir no caminho certo, assim também farão as palavras de Eclesiastes se forem bem compreendidas. Neste versículo, os pregos bem fixados são os mesmos em 2 Crônicas 3.9 e Jeremias 10.4. Trata-se de ganchos nas tendas onde as famílias penduravam as roupas e os utensílios domésticos necessários no dia-a-dia. Nesta passagem, eles representam estabilidade e perspectiva à vida. Costumava-se equiparar os reis a pastores. Neste sentido, Salomão esta dizendo que a fonte de suas ideias é Deus, o Pastor de Israel (SI 80.1), o único Pastor.

12.12 — Vários outros livros podem deixar seus leitores cansados. Estudar Eclesiastes com afinco terá o efeito contrario, já que ele instrui, alerta e exorta os que o leem.

12.13 — Temer a Deus é um dos grandes temas de Eclesiastes e da literatura de sabedoria no Antigo Testamento. Temer a Deus implica obedecer-lhe a Ele com respeito, reverência e admiração, servir-lhe com atitudes puras e afastar-se do mal e da adoração a qualquer outra coisa em Seu universo. As palavras “guarda os seus mandamentos” remetem aos mandamentos da Lei. Jesus os resumiu a “amaras ao Senhor, teu Deus e o teu próximo como a ti mesmo” (Mt 22.34-40). Só somos completos e íntegros quando tememos a Deus e obedecemos aos Seus mandamentos, porque este é o dever de todo homem. Que importância há em viver? Se seguirmos as orientações de Eclesiastes, teremos um relacionamento com Deus e encontraremos no Senhor a vida.

12.14 — “Deus há de trazer a juízo.” Este mesmo ensinamento é advogado por Paulo em 2 Coríntios 5.10. A morte não é o fim. Toda a nossa vida será analisada pelo nosso bondoso Senhor (Ec 3.17). A vida deve ser vivida com fé visando os valores do Deus eterno.



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Eclesiastes 12:1-14 — Significado e Explicação Eclesiastes 12:1-14 — Significado e Explicação Reviewed by Biblioteca Bíblica on quinta-feira, abril 18, 2013 Rating: 5
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