Interpretação de Josué 17

Josué 17 continua com a divisão da terra, focando na herança da tribo de Manassés. O capítulo destaca as preocupações dos descendentes de Maquir, filho de José, em relação aos carros dos cananeus e sua capacidade de conquistar as planícies. Josué garante a eles que, com a ajuda de Deus, eles podem superar esses desafios. Este capítulo destaca a importância da confiança na força e estratégia de Deus, destacando a necessidade dos israelitas de participar ativamente na posse de seus territórios designados. Josué 17 mostra a interação entre fé e esforço enquanto as tribos navegam pelas complexidades de garantir sua herança na Terra Prometida.

Josué 17
Divisão de Clãs no Território de Manassés. 17:1-6.


17:1. Traduzir: Havia (também) um quinhão (em Canaã) para a tribo de Manassés, pois era o primogênito de José. (Portanto) Maquir, o primogênito de Manassés, o pai (isto é, senhor, proprietário) de (a terra de) Gileade, sendo um homem de guerra, recebeu Gileade e Basã.

17:2-6. O fato das dez porções destinadas às clãs de Manassés em Canaã terem sido realmente estabelecidas, confirmou-se muitos séculos mais tarde pela ostraca de Samaria, datada de cerca de 770A.C. Esses registros de pagamento de impostos em espécie dos diversos distritos das clãs, descobertos no palácio de Jeroboão II, incluem o nome de Abiezer (como um distrito; cons. Jz. 6:34; 8:2), Heleque, Siquém, Semida, Noa e Hogla (veja Nm. 26:28-34; 27:1-11; 36:1-13).

A Posse de Manassés em Canaã. 17:7-13.
17:7.
O litoral de Manassés estendia-se desde Sior-Libnate, a enseada que fazia limites com Aser, exatamente ao sul de Dor (19:26), até Micmetá (16:6). Este sítio fica diante de (ou, do lado oposto a) Siquém (‘al-penê Shekem), isto é, olhando-se para o leste de Micmetá, através da Planície do Sarom pode-se ver o vale de Siquém entre as colinas arredondadas de Ebal e Gerizim (G.A. Smith, The Historical Geography of the Holy Land, pág. 1 19).

17:8. A terra ou os campos de Tapua ficavam ao norte das ribanceiras do Rio Cana em Manassés, embora a própria Tapua ficasse ao sul do rio em Efraim.

17:9. As cidades... pertenciam a Efraim. Eva Danelius (op. cit., 1958, págs. 135-142) sugeriu que se traduzisse ‘arîm ha'elleh como ‘arîm ha'ela que seguindo a LXX (edição de Margolis) ficaria assim: "O ‘Arim (equivalente ao árabe haram, uma região isolada, santa) do terebinto pertence a Efraim entre as cidades de Manassés". Sobre o lugar sagrado com o seu carvalho ou terebinto perto de Siquém, veja 24:26 e o comentário sobre 24:25-28. Assim Siquém, a cidade de refúgio, era considerada como se estivesse no Monte Efraim (20:7).

17:11. A região dos três outeiros, isto é, o Monte Tabor, o Monte Moré e o Monte Carmelo ou Monte Gilboa (Baly, The Geography of Bible, págs. 173, 174), A fronteira setentrional com Aser e Issacar foi bem menos definida porque Manassés, a tribo mais forte, recebeu as fortalezas cananitas que resistiram. "Este fato deveria manifestamente despertar uma solidariedade entre as diversas tribos e evitar a desunião criando interesses comuns. Os interesses das tribos mais fortes seriam atendidos completando-se a conquista dos territórios destinados às mais fracas" (C.H. Waller, A Bible Commentary for English Readers, pág. 142). Escavações revelaram que a Megido cananita não se rendeu a Israel até a segunda metade do século doze A.C.

17:12, 13. Porquanto os cananeus persistiam em habitar nessa terra. Isto é, estavam determinados a permanecer naquela região, Manassés não pôde expulsá-los. Jamieson sugere que "indolência, amor ao conforto e talvez humanidade equívoca, brotando de um descaso ou esquecimento da ordem divina, um decréscimo do princípio da fé e do zelo no serviço de Deus, foram as causas do seu fracasso" (JFB, pág, 154).

As Tribos de José Exigem Mais Terras. 17:14-18.
Josué teve diplomacia e firmeza ao lidar com seus companheiros de tribo. Não lhes concedeu porção adicional, mas estimulou-os a devastar as matas e a colonizar a região montanhosa. Que o Maciço Central já foi fortemente coberto de matas está comprovado pelas pinhas e sementes de terebinto e chifres de veados encontrados em muitas escavações e o dente de um porco-do-mato em Gezer, como também madeira de cipreste e pinho na fortaleza de Saul em Gibeá (Tell el-Full). Embora os cananeus ocupassem as melhores terras o vale de Jezreel (v. 16) – e possuíssem equipamento militar superior – carros equipados com projéteis afiados de ferro, sem dúvida obtidos nesse período dos heteus da Ásia Menor,– as montanhas de Efraim e Manassés estavam muito escassamente colonizadas por volta de 1400 A.C. Com exceção de Siquém e Tirza, são singularmente poucos os sítios com cidades fortificadas ou vilas cananitas do último período da Idade do Bronze, entre Betel e Ibleam.

De toda aquela região, Siquém, talvez seja a única cidade cujo nome se encontra nas Cartas de Amarna. Mesmo Dotã, tomada por Tutmose III em cerca de 1479 A.C., não foi mencionada em Josué, Juizes ou nas Cartas de Amarna. Portanto esta grande região provavelmente se encontrava despovoada em 1400 A.C. Um pouco mais tarde os locais habitados aumentaram rapidamente na região montanhosa, conforme os israelitas foram aprendendo o artifício de cavarem cisternas, revestindo-as com reboco à prova d'água para armazenar a água das chuvas (Albright, Archaeology of Palestine, pág, 113). Assim existe uma razão para a falta de cidades nas listas de Josué 16 e 17.

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